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IPCA, Preço da Gasolina e a grande tacada da Petrobras

O IBGE anunciou hoje o IPCA de dezembro de 2017. O índice fechou em 0,44% (bem acima do esperado pelo mercado que era 0,28%). 
No acumulado de 2017 o índice oficial de inflação fechou em 2,95% (menor desde 1998), mas dando claros sinais gráficos que vai voltar a subir. Os grandes vilões foram passagens aéreas com aumento de mais de 22% e claro a gasolina com aumento médio de 2,26% no mês. Sobre a gasolina é queremos comentar um pouco mais a seguir:

Não é de hoje que há uma grande desconfiança se o IPCA é mesmo confiável e se não é, de alguma forma, manipulado pelo governo para mostrar uma saúde da economia melhor do que realmente está e fazer com que os juros caiam artificialmente (sem que inflação real também caia, diminuindo o rendimento real das aplicações), o que seria péssimo para o investidor de renda fixa. 


Em tempos como os atuais, onde o IPCA é o menor em décadas mesmo com a gasolina não parando de subir nunca, este sentimento parece fazer ainda mais sentido. Na prática não se vê queda nenhuma nos preços de nada.

O IPCA e o preço da Gasolina

Embora o IPC-A (A de amplo) seja baseado na variação de preços de mais de 460 items (veja a lista), a população em geral não é afetada por todos eles. Temos na lista por exemplo, preço de  assinatura de revistas, telefone fixo, máquina fotográfica, cigarro, plano de saúde, areia, telha e muitos outros que podem não ser aplicado ao seu dia a dia. 
Pressupondo que o IPCA não seja manipulado pelo governo (que é o que todos esperam), a forma com que ele é calculado é que deixa a sensação de não ser um número que retrata a realidade.
Na realidade, um índice de preços como o IPCA raramente representará seu índice de inflação pessoal. A gasolina, por exemplo, pode ter (e geralmente tem) um peso muito maior na inflação de muitos brasileiros que utilizam o carro para trabalho ou para locomoção diariamente do que centenas de items da lista avaliada pelo IBGE.

Veja no gráfico acima que mostra a relação entre IPCA e o preço da gasolina. Veja que não são tão correlacionados assim. Quando o IPCA começou a cair em setembro de 2016, o preço da gasolina continuou estável ou aumentou durante praticamente todo o período. Veja que a tendência não é a mesma, pois o peso do preço da gasolina no IPCA não é tão alto quanto deve ser no seu índice de inflação pessoal, que certamente deve ter menos de 460 items no mês.

A tacada de mestre da Petrobras que nós estamos pagamos

Em Junho de 2017 a Petrobras espertamente decide mudar sua política de reajuste de preços dos combustíveis para (agora que o preço do petróleo está lá embaixo) seguir o mercado internacional, permitindo até mesmo alterações diárias de preço (aproveitando que o povo viu via lava-jato que a corrupção esgotou os caixas da empresa assim a opinião pública não seria tão negativa aos aumentos de preço).

Como a Petrobras baseia grande parte da formação dos preços na cotação do petróleo tipo Brent, na prática, é o mesmo que ela ter “comprado” (é como se todo brasileiro tivesse entrado vendido num claro padrão gráfico OCOI) o gráfico abaixo quando o Brent estava a praticamente $40 o barril. O petróleo não parou de subir deste então e já beira a casa dos $70 dólares o barril. A gasolina que o cidadão paga, naturalmente, está seguindo a tendência e estamos pagando muito mais de R$4 o litro. 
Imagine você se o Brent chegar a $110 o barril, quando estará a gasolina no Brasil? Quem entende de análise técnica pode perceber que rompemos uma importante resistência gráfica nos $66 e agora o caminho está livre rumo aos $110. Provavelmente veremos a gasolina indo acima de R$ 5 o litro ainda em 2018.

Veja, porém, que de julho de 2014 a janeiro de 2016 tivemos uma queda de 70% no preço do Brent. Ai perguntamos, você viu o preço da gasolina cair 70%? Alias, você viu o preço da gasolina cair algum dia na sua vida? Só vai ter reajuste quando subir e quando cair vai cair na mesma proporção? Sabemos que no Brasil isto não acontece.

Vejam vocês como é o preço da gasolina em países onde a flutuação de mercado sempre seguiu o mercado internacional e é bidirecional, ao contrário do Brasil:
Preço médio do galão de gasolina nos EUA nos últimos 10 anos – Fonte: Gasbuddy.com
Veja como o gráfico acima tem uma correlação com o gráfico do Brent anterior em quase 100% (observe o ano ao analisar o gráfico). 
Tudo isto é muito triste e revoltante para o cidadão que abastece no dia a dia e nem percebe injustiças como esta.  
Do ponto de vista puramente financeiro porém, a Petrobras fez um excelente negócio adotando esta política de preços e certamente beneficiará muito os caixas da companhia (se a corrupção tiver diminuído bastante com a lava-jato) e o preço das ações já mostram isto e mostrarão muito mais se o Brent realmente continuar sua tendência de alta de volta aos $110.
E você que não pode viver sem carro, está sentindo no bolso o preço da gasolina consumir grande parte de seu orçamento? Alguma ideia para reduzir este custo? Qual sua projeção para seu “IPCA” pessoal em 2018 ?





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