Embora você provavelmente já esteja cansado de ler sobre a Taxa Segura de Retirada (TSR), sempre é bom lembrar que ela é um dos pilares dos planos de independência financeira e/ou aposentadora antecipada. Apesar de chamarmos ela de regra dos 4%, ela não é uma regra propriamente dita, apenas um número, uma forma de facilmente termos uma noção de quanto precisamos acumular para “viver dos investimento”. Na prática é pegar seu gasto médio total mensal em reais e multiplicar por 300.
Em termos populares, a TSR é basicamente é um número dado de forma percentual de quanto do total do seu dinheiro inicial (Patrimônio Líquido investido [ai não entra casa e carro por exemplo]), você pode gastar por ano para que ele dure por todo o período de sua aposentadoria antecipada ou independência financeira (FIRE). Nos EUA, 4% é geralmente considerado como uma taxa segura razoável a ser utilizada.
No Brasil, estamos acompanhando este número ano a ano e, como vemos aqui, a nossa TSR parece que será um pouco superior a isto.
Mas hoje queremos falar sobre como podemos tratar a TSR em partes ou componentes, de forma que, cada parte da TSR seja dedicada para um objetivo diferente. Seja pagar pelas despesas básicas indispensáveis a sobrevivência, ou extras como conforto e itens totalmente discricionários que você pode viver sem, mas seria legal ter.
A “regra” 3-1-1:
Uma das formas mais interessantes que a TSR pode ser “desmontada” é uma regra que vem se popularizando nos EUA entre aqueles que otimizam suas carteiras de forma a maximizar a TSR, podendo atingir até 5% de TSR nas simulações históricas (com uso de ativos não correlatos como Ouro, Small Cap Value, Large Cap growth, Treasures de longo prazo e alocações “risk parity”). Esta regra prática é conhecida como regra do 3% – 1% – 1%.
Ela basicamente divide uma TSR de 5% em:
- 3%: Necessidades básicas: Aqui é usada o primeiro degrau da pirâmide de Maslow, ou seja, o que é preciso para sobreviver: Alimentação, habitação, vestimenta, utilidades básicas como água e luz, saúde, etc. Ou seja, tudo o que for absolutamente necessário para a sobrevivência.
- 1%: Conforto: Por que sobreviver só não é suficiente, não é? Então dedicamos 1% a coisas como transporte, comer fora, academia, cinema, lazer em geral. Coisas que você conseguiria sobreviver sem por um bom período. Isto nos leva a uma TSR normal e comum de 4%.
- 1%: Extravaganças ou supérfluos: Viagens, carro novo, assinaturas diversas, tratamentos estáticos como spa, e todos os demais gastos dispensáveis em caso de uma crise ou aperto. Alguém lembra do fundo Tio Patinhas do SRIF365? Algo assim.
Contexto: O SRIF365 criou o que ele chamou de FUNDO TIO PATINHAS: A ideia não era simplesmente manter uma reserva de emergência, mas criar um buffer de consumo separado do patrimônio principal: ele vivia da renda passiva, reinvestia cerca de 15% do gasto do mês anterior para ajudar a preservar o poder de compra do patrimônio e usava o restante como orçamento; quando gastava menos do que tinha disponível, a sobra ia para o Tio Patinhas, e nos meses mais caros, viagens ou despesas extraordinárias, sacava desse fundo em vez de mexer no “bolo principal”. Na prática, portanto, algo como 85% ficava potencialmente disponível para consumo e 15% era reinvestido, com o Tio funcionando como uma conta de suavização que engordava nos meses baratos e era consumida nos meses caros. Ainda não achei evidência de que ele tivesse definido um tamanho-alvo rígido ou um número fixo de meses para o fundo, mas essa mecânica percentual aparece de forma bem clara nos posts antigos – que agora se foram.
Muitos de vocês vão dizer que isto se parece com a divisão FIRE entre Lean Fire, Fire tradicional e Fat FIRE, e não deixa de ser, mas é pensada de uma forma um pouco diferente que faz mais sentido.
