O Risco dos Retornos Negativos Sequenciais – Análise prática
Um tema que já falamos bastante aqui no AA40 é sobre o risco que um FIREE corre quando, ao se "aposentar cedo", se depara com uma série de retornos negativos dentro dos 10 anos iniciais da data FIRE. Aliás, você já definiu sua data FIRE?
O risco de receber retornos menores ou negativos no início do período, quando os saques são feitos da carteira de investimentos usando uma TSR, é conhecida em inglês como "Sequence of Return Risk", que podemos aportuguesar para "Risco dos retornos negativos sequenciais". Este é um dos principais e mais danosos riscos que um FIREE incorre e precisa conhecer para tentar mitigar ao máximo:

Antes de vermos como mitigar, vamos demonstrar na prática como isto funciona para você entender e ver como isto é real e perigoso:
Demonstrando na prática

Como visto acima, em verde um retorno aleatório esperado de uma carteira e em vermelho uma sequência de retornos bem ruins no início do período.

O que fazer então?
Usar uma Yield Shield
Exemplo de uma carteira brasileira. Como calcular o seu yield real.


Por que não focar só em dividendos e renda passiva então?
Por que estas carteiras geralmente focam em REITs(FIIs) ou grandes empresas estabelecidas possuem um menor potencial de crescimento comparado ao mercado total. Apostando somente nelas você estará perdendo uma parte significativa dos retornos totais proporcionados por small caps e mid-caps e por não pagadoras de dividendos, que geralmente crescem mais rapidamente e mais; se você deixar estas de fora, o seu retorno ao longo das décadas vai ser severamente comprometido. Empresas como Amazon, Tesla, Google, Facebook, Magazine Luisa, CVC, etc não pagam dividendos ou se pagam possuem um yield muito baixo, exatamente por que estão usando todo caixa para reinvestir e entregam seu retorno na forma de ganhos de capital e não dividendos. Se você não investir nelas por que busca apenas dividendos, você estará perdendo um potencial ganho muito grande e provavelmente retornando abaixo da média do mercado.

Por isso que eu continuo com mais de 70% em renda fixa. Nada me convence a investir na bolsa brasileira com tudo o que acontece em Brasília.
Não tenho como te contestar anon, Brasil é isso mesmo, ou tem estômago ou renda fixa não é das piores historicamente, atualmente está ruim mas tende a melhorar um pouco com o aumento da Selic vindo ai. Abcs AA40
Calma, amigo
Imagino que nesses momentos de ciclos negativos tbm podemos apertar os cintos postergar gastos, entrar num modo sobrevivência até as coisa voltarem aos eixos.
Mas tenho uma duvida esse saque anual na teoria é feito no começo do certo ? Mas na realidade os saques serão feitos dia a dia isso não pode impactar os cálculos, por que na minha cabeça eu só traria o dinheiros da corretora no dia de pagar as contas conforme fosse precisando.
Sem sombra de dúvidas Soldado, flexibilidade é chave, sobretudo nos primeiros anos FIRE.
Sim, os saques são feitos no começo do ano na teoria. Os americanos fazem isso geralmente, colocam o necessário para o ano numa conta High Yield (poupança basicamente, aquela conta Selic do Nubank tbm seria uma) e o resto deixam todo no mercado. Com exceção dos anos iniciais FIRE, que ai sim deixam todo o valor necessário para a Yield Shield em renda fixa.
Abcs AA40
Ótimo texto. Parabéns!
De fato parece prudente ter uma reserva de liquidez no início da jornada FIRE. Sou um pouco resistente a privilegiar ativos com melhor yeld, como FIIs ou REITs, pois o percentual
é baixo e, como você disse, ainda pioram a rentabilidade da carteira.
Valeu Leo. Perfeitamente, privilegiar os yields mais altos só quando necessário mesmo (início do pós-FIRE) pois, com poucas exceções, pioram a rentabilidade global da carteira. Abcs AA40
Muito bom o exemplo, AA40. Apenas gostaria de pontuar que há algum erro na primeira planilha, na coluna à esquerda. Quando o sujeito chega aos 76 anos, ele possui $6.660,979, no ano seguinte perde 10% e o valor cai, mas nos anos seguintes perde mais 14%, 15% e 25% e o valor aumenta, até alcançar os $8.246,127 finais. Há algum erro na fórmula da planilha.
Isso não invalida o raciocínio, apenas significa que nas simulações em que o sujeito não saca nada do valor ao longo do tempo ele vai chegar aos 80 com valores diferentes, mas não zerado.
O que importa é a parte seguinte, que mostra a diferença que aconteceria com os saques.
Abraço,
Macunaíma
P.s.: hoje nosso presidente burro vai ter insônia.
Olho de lince hein Macunaíma. Realmente tinha um erro na referência da célula na primeira planilha. Corrigido acima.
Na verdade a segunda estava correta e não mudou o resultado nem a conclusão.
Valeu por avisar. Vc estava bem atento, parabéns!
Abcs AA40
Se a retirada for de 4% do montante total, havendo queda no montante total pela queda da bolsa, a retirada não seria, portanto, menor e, desta forma, tudo o mais continuaria constante?
É que fiquei em dúvida se este 4% de retirada é calculada em relação ao início das retiradas e então mantido fixo, que é quando me parece que o raciocínio proposto faça sentido, ou se é recalculado a cada retirada de cada parcela anual, quando me parece que o montante nunca irá acabar, desde que as parcelas anuais das retiradas nos momentos de queda também sejam readequadas.
Enfim, entendeu minha dúvida? onde está o erro?
Leandro, boa pergunta e muitos tem essa dúvida.
Na TSR original e que seguimos, o montante é calculado apenas uma vez, no início da “aposentadoria” e não todo ano. No final do primeiro ano, apenas corrigimos o montante original pela inflação, nada mais.
Por isso muitos implementam guard-rails, pois se a carteira cair muito, seus 4% iniciais, agora serão 6%, 8% de retirada corrente, e isto pode comprometer nos 10 anos iniciais como explicado. Nestes casos se poe um limite de x% para redução de despesas ou aumento caso aumente a carteira (embora nos 10 anos iniciais eu não aumentaria, apenas depois)