TSR NO BRASIL: Como anda nossa TSR depois de 26 anos de histórico?

Dando continuidade ao nosso acompanhamento anual da Taxa Segura de Retirada (TSR) para o Brasil, atualizamos nossa estudo com os dados reais do último ano-2020. Antes de prosseguir, se você não acompanha nossa série, recomendamos ler todos os detalhes do estudo, comentários, explicações, clicando aqui para entender do que falaremos a seguir. Neste post serei mais conciso e considerarei que você já venha acompanhando a nossa série.

Por incrível que pareça, ainda é difícil conseguir dados oficiais de retorno do IBOV, CDI, etc. Recorremos a fontes da imprensa para tal. Temos para 2020 como dados reais o seguinte:
  • IBOV: 2.92%
  • Selic média: 2.82%
  • IPCA: 4.52%

Como sabem, para o cálculo da TSR precisamos de no mínimo 30 anos. Contando com 2020, temos apenas 26 anos completos de dados reais (IBOV em R$ iniciou apenas em Julho 1994), portanto usamos os números do relatório Focus do Banco Central, atualizados em fevereiro de 2021, para completarmos os dados faltantes e para termos então os 30 anos de dados requeridos para a análise.

No Relatório Focus de 5/fev. 2021 temos (vejam a diferença para a realidade em 2020):

Projeção focus em Jan. 2020
Ano Selic IPCA
2020 4.5% 3.60%
2021 6.5% 3.75%
2022 6.5% 3.75%
2023 6.5% 3.50%
2024 6.5% 3.50%

Projeção Focus Fev. 2021
2021 3.5% 3.60%
2022 5.0% 3.49%
2023 6.0% 3.25%
2024 6.0% 3.25%

Para a TSR 4% padrão, para o mesmo indivíduo do estudo original, teríamos: 

Clique para ampliar (Indivíduo sacando os 4% padrão poderia consumir R$18.225 ao mês atualmente)



Vamos agora usar nosso goal seek e procurar as TSRs para cada um dos três cenários do nosso estudo original.  Mas desta vez vamos simular dois casos, o pior caso (TSR safemax original) e a TSR que mantém o aporte inicial corrigido pela inflação ao final do período, cenário este que é mais provável de alguém querer adotar na prática.
Rodando a simulação, obtemos 7,37%aa para o FIREE 100% investido em IBOV;  8,25%a.a. para o investido em um mix 50% CDI/ 50%IBOV e 9,23%aa para o investidor que aportou 100% CDI/Selic em 1995. Vamos aos números e comparativo com o último ano:

TSR que zera a carteira (pior dos casos, saldo zero no final do período)
                 2019    2020
100% IBOV   7.42%   7.37%
50%/50%          8.27%   8.25%
100% CDI/SELIC  9.25%   9.23%

Sabemos que ninguém quer ficar sem dinheiro então simulamos também a TSR que mantém o saldo mínimo igual ao aporte inicial (no nosso exemplo, 1 milhão de reais, corrigidos pelo IPCA do período). Ai temos as seguintes TSRs:

TSR que mantém o valor inicial corrigido como saldo mínimo no final do período
100% IBOV 6.26%
50%/50%         7.08%
100% CDI/SELIC 7.99%


Conclusão

Caros leitores, como podem ver, a TSR vem baixando ano a ano, o que não é nada surpreendente. Com os juros mais baixos isto é totalmente esperado. Porém, para o período analisado ainda vemos que ela é bem superior aos 4% dos EUA. Mesmo mantendo o poder de compra do aporte inicial como saldo mínimo após 30 anos de saques, conseguimos retirar mais de 6% ao ano no pior cenário. 
Podemos assumir então que 4%aa, mesmo no cenários atual de juros, que espera-se seja de curto prazo, se desta vez o pessoal do relatório Focus acertar, ainda é muito seguro para o FIREE brasileiro.Veja em vídeo
Comente abaixo. 



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10 thoughts on “TSR NO BRASIL: Como anda nossa TSR depois de 26 anos de histórico?

  1. Obrigado pelo estudo AA40! Até aqui tudo bem! kkkk…
    A regra dos 4% sempre foi super rígida e não contempla uma série de margens de segurança que a gente naturalmente pode inserir para blindá-la ainda mais (renda acidental após aposentadoria, herança, benefício previdenciário, flexibilidade de gastos, etc.). Mesmo assim, ela ainda se mostra super conservadora no Brasil até agora, conforme o seu estudo!
    Show de bola!
    Um abraço!

  2. Boa noite AA40. Fiquei esperançoso e mais calmo com está análise no decorrer do acompanhamento da TSR no Brasil. Tento ficar no 3% devido a alta diversificação( ações, Fiis, etfs, rf, crowndfunding, e derivativos. Mas completando 1 ano de FIRE em uma montanha russa, fico mas em paz hoje e lendo sobre a TSR Brasil. Parabéns e continue esse trabalho e dedicação que auxilia a todos . Obrigado

  3. Não é à toa que o Guedes sempre falou em acabar com o "paraíso do rentista". Excelente simulação, realmente é reconfortante ver não só que 4% é bem seguro, mas também que muitas vezes fazer o simples (ex: 100% CDI) pode ser mais efetivo que perder anos de vida em estudos sobre o mercado de renda variável.
    Abraço

  4. Bom dia AA40.

    Ótimo trabalho. Apesar de não utilizar a TSR, considero razoável esse valor em torno de 6~7%.

    Encaminhei esse estudo para meu amigo e mostrei para ele que a era de altas taxas selic chegou ao fim. Taxas que ocorreram no começo dessa série histórica.

    Abraços e tenham uma boa semana

  5. Numa economia tao instavel como a do Brasil é impossivel ter um rendimento seguro com um ativo só. Antigamente eu mantinha o maior percentual indexado a inflacao ou selic (fundos DI e TD) e alternava entre dolar e bolsa dependendo da epoca. Ano de eleiçao, dolar. Primeiro ano de governo, bolsa. Hoje em dia, troquei fundos DI e TD por FIIs e fundos multimercado. Agora preciso trazer criptomoeadas para equaçao, ao menos como hedge

  6. Meu plano é me manter flexível para surfar conforme a onda, ir ajustando as retiradas conforme o mercado for mudando. Em épocas de inflação( inflação pessoal) segurar as contas baixar o padrão até ajustar novamente a curva.

  7. Seria interessante fazer um estudo desses comparando o valor dolarizado para ver o real impacto e a importância de dolarizar parte do patrimônio. Ótimo estudo, parabéns!

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