Quer ser mais feliz no trabalho? Dê menos importância a ele

Recentemente, uma amiga me disse que estava pronta para pedir as contas. Grandes mudanças em seu local de trabalho empilharam novas responsabilidades sobre ela, adicionando as anteriores que já eram excessivas.

Oprimida e estressada, ela me explicou sobre as expectativas irracionais colocadas sobre ela – simplesmente não havia como ela realizar todas tarefas no prazo. Ela queria se demitir e acabar com isso.

Como amigo dela e alguém que já havia passado por uma situação semelhante, eu queria ajudar. Perguntei: “O que aconteceria se você não fizesse todo o seu trabalho a tempo? E se – em vez de desistir – você primeiro tentasse se importar menos?”

Ela nunca tinha considerado se importar menos como uma opção.

Você já?

Para muitos de nós introvertidos, nossos esforços e resultados profissionais são um reflexo de nós mesmos e de nossa dedicação ao nosso empregador. Pelo menos, é assim que vemos. Como não somos o centro das atenções do escritório ou criaturas comunicativas, sentimos a necessidade de provar aos nossos superiores que somos inteligentes, trabalhadores e confiáveis. Nos bastidores, brilhamos silenciosamente por meio de nossas ações – não necessariamente através do marketing pessoal (termo moderno para justificar o famoso puxa-saco)

Todos nós conhecemos alguém que se diverte trabalhando. Tive um gerente de um emprego passado que muitas vezes trabalhava em casa. Quando ele estava no escritório, ele era calmo e relaxado e nunca parecia estar trabalhando, mas era altamente considerado pela alta administração. Ele era um especialista em delegar e conversar.

Na verdade, eu estava com ciúmes dele. Eu gostaria de poder me sobressair fazendo como ele, com comportamento extrovertido e atitude. Mas, na realidade, essa não é a minha natureza.

Para pessoas como eu e minha amiga que quase desistiu (e proavelmente você no caminho FIRE) o conceito de dar menos do que o nosso melhor não passa pela nossa cabeça. Simplesmente não é uma opção. Estabelecemos altos padrões para nós mesmos e ficamos desapontados e frustrados quando nem sempre conseguimos atingir esses padrões. É essa ansiedade iminente de fracasso que fez minha amiga acreditar: “Se não posso fazer bem meu trabalho, não quero fazê-lo”.

Mas a verdade brutal e honesta é que muitos chefes não percebem quem está dando 100% e quem está fazendo o mínimo para sobreviver. Se você se identificou com essa história até agora, estou disposto a apostar que seus 80% de esforço são os 100% da maioria das pessoas. Então, ao se importar menos, você está realmente se importando o suficiente.

É ótimo querer ser útil e fazer a diferença no trabalho, mas primeiro você precisa cuidar de si mesmo. Você não está ajudando ninguém se você se esgotar e desistir. Colocar um pouco menos de esforço em momentos de alto estresse não significa que você não se importa com seu trabalho; significa que você se preocupa mais consigo mesmo.

E aqui está um bônus: você pode conseguir mais quando se importa menos. O perfeito é inimigo do bom. Quando você reduz a pressão sobre si mesmo para atingir a perfeição, pode fluir mais rápida e facilmente através de suas tarefas. Confie que sua intuição e experiência o guiarão. A liberdade do peso da perfeição pode ser criativamente libertadora.

Primeiro, pergunte a si mesmo: Qual é a pior coisa que acontecerá se eu perder um prazo? ou não revisar essa planilha pela quarta vez? ou se houver um erro de digitação no meu relatório?

Serei demitido?

Provavelmente não. (E se você for demitido, essa com certeza não é uma empresa para a qual você deveria trabalhar)

Sabe o que provavelmente vai acontecer? Ninguém vai nem notar. Ou se o fizerem, não será grande coisa. Cometer erros ocasionais é esperado e faz parte do ser humano. Não há problema em cometer erros.

Se quiser ir além, diminua a velocidade e analise o que, precisamente, está estressando você. Faça uma lista de tarefas. Anote as tarefas específicas que estão causando os sentimentos de estresse. Converse com um amigo ou familiar.

Você pode descobrir que a situação não é tão terrível quanto você pensava. Ao abordar suas tarefas uma de cada vez (lembrando que nem tudo precisa ser perfeito), você pode progredir de verdade. Dar esse passo para trás ajuda você a se livrar da paralisia e fazer mais.

Então, o que aconteceu com minha amiga? Honestamente, acho que ela achou o conceito de se importar menos muito radical. Felizmente para ela, o clima em sua empresa mudou por conta própria e sua carga de trabalho foi reduzida. No entanto, espero que ela se lembre do meu conselho se se sentir sobrecarregada no futuro. Ela, assim como você, merecem ser felizes em seu local de trabalho, sem lutar para manter padrões auto-impostos, quase impossíveis de alcançar.

Fonte: Traduzido e adaptado do texto de Kelly O’Laughlin

15 thoughts on “Quer ser mais feliz no trabalho? Dê menos importância a ele

  1. Vc me ajudou pra cacete. Estou passando por um período difícil no trabalho e estava chegando a essa msm conclusão. N sou de largar o osso, então eu estava chegando à conclusão de que eu que deveria alterar algumas coisas: me importar menos; n ver msgs de trabalho fora do horário para n respingar na vida pessoal; aumentar metas pessoais; delegar mais tarefas; deixar situações de conflito pro final do dia pra n ficar de cabeça quente o dia todo. Enfim, foram coisas q refleti mto essa semana, por ter sido uma semana difícil pra mim. Ler esse texto me foi reconfortante. Obg e um abç!

  2. Interessantíssimo.

    Minha esposa estava passando por algo parecido. A empresa praticamente obrigou que ela agarrasse o mundo e, de forma não surpreendente, ela decidiu que iria se demitir pois estava muito esgotada / atarefada.

    O que eu disse a ela foi que a melhor forma de passar uma mensagem à diretoria sobre o quanto ela estava esgotada, não era se demitir, e sim fazer o que dava, com o tempo que lhe foi concebido para ela trabalhar, sem prejudicar sua saúde ou finanças por isso.

    Se ela não desse conta do recado, poderia acontecer duas coisas:
    1. Ser demitida (assim ela pelo menos teria seus direitos da rescisão + estaria saindo de uma empresa cujos valores não estariam alinhados com os dela).
    ou
    2. A diretoria conseguiria enxergar que precisavam de outra pessoa para auxilia-la nas atividades e ela voltaria a exercer o trabalho para o qual foi contratada sem maiores problemas.

    Diminuir a velocidade é essencial. Isso evita que decisões impulsivas sejam tomadas e possibilita ter tempo para avaliar com mais calma cada cenário.

    Por fim, após diminuir a velocidade, minha esposa não conseguiu passar a mensagem final para a empresa, mas conseguiu um acordo bom para ambos. Somente após isso, se demitiu, encontrou um novo emprego e está muito feliz nele hoje, ganhando até mais.

    Obrigado por compartilhar o texto. Realmente muito bom.

    Abraços!

  3. AA40, eu gosto de tentar acrescentar algo nos comentários, mas dificilmente conseguirei.

    Vc acertou na mosca o comportamento daqueles que querem crescer “apenas” pelo trabalho e espera que o seu chefe o reconheça. Essa pessoa, por ser competente será mais demandada, e tentará entregar, pois acredita que o chefe está olhando e demandando “corretamente”.

    Mas, infelizmente, o chefe é falho (e até em alguns casos mau caráter). Quer fazer bonito para cima, com o trabalho da equipe e muitas vezes está olhando mais para cima que para baixo.

    Aí entraremos na discussão líder x chefe. Deixa para próxima.

    A conclusão foi excelente: pense primeiro em vc. Talvez assim vc até consiga trabalhar melhor.

    Acrescentaria: Dado que o chefe é falho, talvez além do trabalho, eu precise aprimorar suas habilidades em vendas e saber vender melhor meu trabalho. Não basta o produto ser bom, para um sucesso em vendas, a publicidade ajuda muito.

    Ótimo post! Gostaria de tê-lo lido há uns anos. rs

    Bora lá!

  4. Assino embaixo. Nao vale a pena esquentar a cabeça ! Somos idiotas achando que temos temos que carregar o mundo nas costas. Uma zebra precisa correr mais que um leao ? Nao, só precisa correr mais rapido que a mais lenta da manada.

  5. Muito bom texto AA40! Perfeccionismo é uma qualidade que também se torna um defeito. Sofro muito desse complexo indicado por você de tentar produzir o máximo possível e ficar indignado se a pessoa do lado não tenta o mesmo…ver os pontos de burocracia e perda de tempo já me fizeram pensar em sair no meu trabalho (só não foi seriamente por ser concursado com um salário que não conseguiria no mercado privado). As vezes precisamos focar no que mais importa, que é a nossa vida fora do trabalho.
    Grande abraço!

  6. Texto fantástico, me vejo exatamente desta forma, isso quase me custou depressão e crises de ansiedade. o FIRE me ajudou e ajuda muito a enxergar de outros pontos de vista e desacelerei e nisso descobri que sou muito melhor do que eu imaginava profissionalmente.

  7. Perfeito esse tecto, gostaria de ter lido há alguns anos atrás. Entrei em parafuso na empresa que trabalho após a pandemia após cortes de pessoal e imensa sobrecarga de trabalho!!
    E ainda tenho colegas que fazem o mínimo possível e simplesmente não há consequências para eles, chegam atrasados, fazem tarefas pela metade, adiam prazos…. E eu aqui tentando abraçar o mundo!!
    Pelo menos enxerguei que não estou sozinha nesta, esse meu “complexo “ é compartilhado com muitos outros e fico na expectativa de outros seres semelhantes a mim tenham essa epifania apresentada no texto para o bem de nossa saúde mental!!

  8. Excelente texto, so acho que e um pouco diferente para quem trabalha com vendas. Pelo menos nos meus trabalhos anteriores, os numeros falavam por si so, e se voce nao vendesse bem, certamente seria demitido. Acho que por isso nunca achei solucao para o meu problema.

  9. Ótimo post. Na verdade nosso trabalho ruim fica pequeno perto dos problemas que o mundo está para enfrentar. A violência e a intolerância aumenta a cada dia e isto vai acabar mal. Acabei de ler que Putin está preparando as armas nucleares. Já imaginaram como uma guerra nuclear poderia mudar tudo de uma hora para outra e nossos investimentos não significarem nada mais ?!

  10. muito obrigado pelo texto, me deu uma paz ler isso, quero salvá-lo nos favoritos para sempre voltar e não me esquecer disso! Tenho a mania de querer agradar as pessoas e as vezes o chefe não percebe que vc está dando seu máximo e exige o impossível.

  11. AA40,

    Eu ainda não conhecia essa forma de pensamento. E fez todo sentido para mim.

    Menos cobrança interior = menos estresse = uma vida mais leve = possível maior produtividade e qualidade de vida.

    Aproveitando o trecho em que falou sobre cuidar de si mesmo em 1º lugar, postei há 2 semanas o texto Seja gentil com você mesmo. Deixo aqui o link aqui para caso você e seus leitores queiram ver.
    https://simplicidadeeharmonia.com/seja-gentil-com-voce-mesmo/

    Abraços,

  12. Somos uma geração ligada as aparências, pelo menos no lado ocidental. Um sociólogo francês já falava sobre isso nos anos 60/70, somos a “sociedade do espetáculo”. Mesmo que sejamos mais introspectivos, essa espetacularização também nos atinge internamente, com pensamentos implantados pela convivência social. Isso se reflete no alto grau de cobrança, em como queremos ser vistos pelo esforço que fazemos, etc… De forma alguma uma quantidade razoável disso seja ruim, o problema é que também vivemos numa época de extremos. Tudo é levado ao level máximo, intenso demais pra que seja perfeito! Acredito que muitos aqui devam ter vivido um burnout, como eu. O pior, nem saber que está “queimado” e continuar trabalhando/estudando/tendo que dar conta de tudo, de ser o melhor EM TUDO. Essa matrix nos deixa loucos mesmo… O melhor a se fazer é tentar sair, ou ao menos tentar se ver dentro dela, como apenas mais uma engrenagem facilmente substituída. Essa pílula de realidade nos permite viver tudo isso que você falou, AA40. Cuidarmos de nós primeiro, como seres finitos num mundo finito. Inclusive as experiências que vivemos são finitas, galera! Vivam pois elas acabam! Hoje em dia tento viver assim: primeiro eu, minha saúde física e mental, depois o resto. Isso não é desculpa para não se dedicar e ser preguiçoso, é ser humano. Priorizo minha academia, faço triathlon, viajo quando posso, saio com os amigos, visito a família, e o trabalho, ele é apenas um detalhe e não minha vida toda. Dissociar quem somos do nosso trabalho é o primeiro passo… E é difícil pra burro! Boas reflexões, como sempre, obrigada!

    1. Concordo plenamente Juliana. Acho que nossa comunidade é uma das poucas a pregar isto e tentar viver isso. As vidas “redes sociais” não tem nada de realidade. Precisamos quebrar este paradigma. A sua profissão não é quem você é e jamais deve ser. Somos muito mais que isto.
      Abcs

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