Por que gostamos tanto da TSR 4%?
(Publicado originalmente em 11/09/2018)
Se você acompanha o AA40 há algum tempo, provavelmente já percebeu que usamos bastante a famosa Taxa Segura de Retirada de 4%, também conhecida como TSR 4%, regra dos 4% ou simplesmente SWR 4%.
Existe um motivo para isso.
Na prática, descobrir a TSR costuma ser o momento em que a independência financeira deixa de parecer algo distante e passa a virar uma meta concreta. Antes dela, a ideia de “viver de renda” parece vaga, abstrata e até impossível. Depois dela, surge um número. Surge um alvo. Surge um plano.
A regra dos 4% transforma um sonho em uma conta relativamente simples.
E apesar das críticas que recebe até hoje, continuamos gostando bastante dela por dois motivos principais:
- simplicidade;
- segurança.
Simplicidade
O mundo das finanças já é complicado o suficiente para afastar a maioria das pessoas normais dos investimentos.
Termos difíceis, produtos complexos, previsões macroeconômicas, gurus prometendo rentabilidade milagrosa, gráficos infinitos, discussões sobre cenário político, valuation, múltiplos, duration, curva de juros, FED, PIB, recessão, inflação, carry trade...
Para quem está começando, tudo isso parece um labirinto.
A TSR 4% faz exatamente o contrário: simplifica. Não precisamos de gurus ou especialistas mais!
Ela responde de forma extremamente direta à principal pergunta de quem deseja atingir o FIRE:
“Quanto dinheiro preciso acumular para viver de renda?”
A resposta aproximada é:
Gastos mensais x 300
Exemplo:
- Quer gastar R$ 5 mil por mês?
- 5.000 x 300 = R$ 1,5 milhão
Quer R$ 10 mil mensais?
- 10.000 x 300 = R$ 3 milhões
Pronto!
- Sem precisar prever a SELIC daqui a 20 anos.
- Sem precisar acertar o próximo ciclo econômico.
- Sem precisar adivinhar qual ação vai multiplicar por 10.
A simplicidade da regra é justamente sua maior força.

Além disso, ela ajuda a criar clareza mental.
Muita gente passa anos investindo sem saber exatamente qual é o objetivo final. Apenas acumulam patrimônio indefinidamente sem uma referência concreta.
A TSR resolve isso.
Ela cria uma linha de chegada.
Você deixa de pensar apenas em “ficar rico” e passa a trabalhar com uma meta objetiva:
“Quanto preciso acumular para sustentar meus custos?”
Isso muda completamente a forma como a pessoa encara poupança, investimentos e consumo.
Segurança
Aqui está o ponto mais importante.
A maioria das pessoas calcula renda passiva da forma errada.
O raciocínio costuma ser algo assim:
“Tenho R$ 1 milhão. Se render 1% ao mês posso gastar R$ 10 mil mensais.”
Esse cálculo parece lógico à primeira vista, mas ignora vários fatores fundamentais.
- Primeiro: impostos.
- Segundo: taxas e custos.
- Terceiro — e mais importante — inflação.
A inflação corrói patrimônio silenciosamente ao longo dos anos. Quem consome todo o rendimento nominal normalmente está destruindo poder de compra sem perceber.
É exatamente para evitar esse erro que existe a TSR 4%.
Ela cria uma margem de segurança entre o que o patrimônio gera e o que a pessoa efetivamente consome.
Porque o futuro é imprevisível.
Ninguém sabe:
- qual será a inflação daqui a 15 anos;
- qual será a taxa de juros;
- como estará a economia mundial;
- se haverá recessões;
- crises bancárias;
- guerras;
- hiperinflação;
- mudanças tributárias;
- ou décadas ruins no mercado.
A regra dos 4% não tenta prever o futuro.
Ela tenta sobreviver ao futuro.
E isso faz toda diferença.

Claro que ela não é perfeita.
Nenhuma estratégia financeira é infalível.
Mas historicamente ela se mostrou resiliente o suficiente para ser extremamente útil como referência prática para a maioria das pessoas.
E principalmente: ela impede que o investidor caia na armadilha clássica de consumir tudo que o patrimônio produz.
“Mas a regra foi criada nos EUA”
Essa é provavelmente a crítica mais comum.
E ela é válida.
A TSR 4% nasceu baseada em estudos do mercado americano, onde os juros historicamente são muito mais baixos que os brasileiros.
Porém existe um detalhe importante que muita gente ignora.
A inflação americana também costuma ser menor, mas os títulos públicos indexados à inflação nos EUA pagam retornos reais extremamente baixos.
Os TIPS americanos de 10 anos, equivalentes ao nosso Tesouro IPCA+, chegaram a pagar algo próximo de:
- inflação +0,86% ao ano
Enquanto isso, no Brasil, o Tesouro IPCA+ 2035 pagam hoje, (maio de 2026):
- inflação +7,1% ao ano
Ou seja: o investidor brasileiro historicamente conseguiu e ainda consegue retornos reais muito superiores na renda fixa.
Na prática, dependendo da época analisada, até uma TSR até maior que 4% poderia funcionar para quem estivesse totalmente alocado em títulos IPCA+.
Claro que isso vem acompanhado do risco-Brasil, risco fiscal e risco político.
Nada é grátis. Todo retorno tem seu risco.
Mas o ponto central continua válido:
Historicamente o investidor brasileiro teve e tem acesso a juros reais muito maiores que o investidor americano.
Comparação TIPS vs Tesouro IPCA+ Últimos 20 anos
| Período / Métrica | US TIPS 10Y (Taxa Real) | IMA-B (Taxa Real Brasil) | Spread (Prêmio Brasil) |
| Média 2006–2010 | ~1,85% | ~6,50% | +4,65% |
| Média 2011–2015 | ~0,25% | ~5,80% | +5,55% |
| Média 2016–2020 | ~0,15% | ~4,20% | +4,05% |
| Média 2021–2025 | ~1,10% | ~6,10% | +5,00% |
| Atual (Maio 2026) | 1,94% | 7,41% | +5,47% |
E se os juros caírem?
Provavelmente cairão no longo prazo.
Não faz sentido assumir que o Brasil pagará juros reais elevadíssimos para sempre.
Países que amadurecem economicamente tendem a ter juros menores.
Por isso faz sentido manter alguma exposição à renda variável, principalmente para quem ainda está na fase de acumulação.
Se o país crescer, os juros caírem e a economia evoluir, empresas tendem a capturar parte desse crescimento.
Mas existe um erro clássico:
Esperar “a bolsa subir” para investir.
Normalmente quando a bolsa já disparou, boa parte do movimento já aconteceu.
O ideal costuma ser o caminho mais simples:
- comprar aos poucos;
- continuamente;
- sem tentar prever o mercado;
- sem tentar acertar topo e fundo.
Para quem não quer analisar empresas individualmente, ETFs acabam sendo uma solução bastante eficiente.
Baixo custo.
Diversificação.
Simplicidade operacional.
O estudo original da TSR 4%
Muita gente acha que a regra dos 4% surgiu de achismo ou “feeling”.
Não surgiu.
Ela nasceu de estudos sérios realizados nos EUA na década de 1990.
O mais famoso deles foi o Trinity Study, baseado em décadas de dados históricos do mercado americano.
Foram feitas milhares de simulações considerando:
- inflação alta;
- recessões;
- crises;
- guerras;
- mercados em baixa;
- períodos ruins e bons da economia.
O estudo analisava diferentes combinações entre ações e títulos públicos ao longo de períodos de aposentadoria.
O resultado ficou famoso:
Uma retirada inicial de 4%, ajustada pela inflação ao longo do tempo, apresentou alta taxa de sucesso para aposentadorias de 30 anos em carteiras com exposição relevante à renda variável.
Em muitas simulações, portfólios com 50% ou mais em ações sobreviveram à enorme maioria dos cenários históricos.

Mais recentemente, os estudos foram atualizados incluindo períodos históricos até 2017.
E o resultado permaneceu relativamente parecido.
Para aposentadorias de 30 anos, a taxa de sucesso continuou bastante alta.
Mesmo períodos de 40 anos apresentaram resultados melhores do que muitos imaginavam.
Uma observação interessante:
Portfólios com 75% em ações e retirada de 5% ao ano ainda sobreviveram em boa parte dos cenários históricos.
Ou seja: mesmo quem acumulou “apenas” 20x os gastos anuais ainda teve taxas de sobrevivência surpreendentemente boas em diversas simulações.
“Mas só funciona por 30 anos?”
Outra crítica extremamente comum.
Sim, o estudo clássico utilizava períodos de 30 anos.
Mas existe um detalhe importante que muitos ignoram:
A TSR original assume um cenário extremamente rígido e pessimista.
Ela assume que durante toda aposentadoria você:
- nunca mais ganhará 1 centavo;
- nunca fará trabalhos paralelos;
- nunca terá renda extra;
- nunca receberá herança;
- nunca receberá aposentadoria pelo INSS;
- nunca reduzirá gastos;
- nunca mudará de cidade;
- nunca venderá bens;
- nunca se adaptará economicamente;
- nunca ajustará o padrão de vida.
Na vida real isso raramente acontece.
A maioria das pessoas continua produzindo algum tipo de renda, mesmo pequena.
Além disso, os gastos geralmente mudam ao longo da vida.
- Filhos crescem.
- Financiamentos acabam.
- Custos diminuem em algumas fases.
- Pessoas simplificam a vida.
- Mudam para lugares mais baratos.
- Reduzem consumo.
A vida real é dinâmica.
Os estudos, por outro lado, são extremamente conservadores.


“E se acontecer uma crise gigantesca?”
Pode acontecer.
Mas isso vale para qualquer estratégia financeira.
Não existe investimento perfeito.
Não existe garantia absoluta.
Não existe fórmula mágica.
Existe apenas gerenciamento de risco.
E a TSR 4% é justamente uma tentativa de criar uma margem prudente para atravessar décadas sem destruir patrimônio rapidamente.
Mesmo assim, quem quiser ainda mais segurança pode simplesmente utilizar:
- 3%;
- 3,5%;
- ou até 2%.
Quanto menor a retirada, maior tende a ser a robustez do plano.

Como o próprio Mister Money Mustache costuma dizer, a genialidade da TSR 4% está justamente em sua simplicidade.
Ela é simples o suficiente para qualquer pessoa entender.
E robusta o suficiente para servir como ponto de partida realista.
A principal função da regra nunca foi prever o futuro perfeitamente.
Ela serve para algo muito mais útil:
Criar um alvo racional, mensurável e conservador para quem deseja conquistar independência financeira sem depender eternamente de salário.
E talvez o ponto mais importante seja este:
A maioria das pessoas que segue uma TSR prudente provavelmente morrerá com muito mais dinheiro do que imaginava.
Não por sorte.
Mas porque normalmente acabam gastando menos, se adaptando mais e continuando produtivas ao longo da vida.

Tem alguém que conseguiu atingir o FIRE e já ta na etapa usando a TSR ???
Gostaria de ver o relato…
Se a pessoa precisar gastar mais, se tiver algum imprevisto. Isso mela o FIRE ?
Olá Anon. No Brasil devem ter poucos ainda. Nos EUA existem milhares.
A TSR4% foi concebida para gastar 4% do patrimonio líquido anualmente então se em algum mês você tiver um imprevisto e gastar mais tudo bem, desde que compense gastando menos nos outros meses e feche o ano ao redor de 4%. Caso gaste mais constantemente é preciso rever o plano.
Muitos planejam ter um fundo de emergência a parte mesmo durante FIRE ou ter uma pequena renda extra. Nos primeiros anos é muito importante não gastar mais do que a TSR estabelecida. Abcs
Olá AA40,
A TSR é bem interessante. Minha alocação é maior em RV aqui no Brasil. Nesse caso, vou usar os proventos para meus gastos. Claro, vou gastar uma parte e a outra reinvestir. Acredito que é uma forma de viver de renda.
Abraços.
É sim Cowboy. Minha única preocupação é RV no Brasil. Mais de 50% da bolsa brasileira é de especuladores estrangeiros. Eles não querem investir para o longo prazo, são trades e ao menor sinal de default eles pulam fora e a bolsa despenca. São hedge funds, fundos abutres e especuladores, bancos grandes que não tem interesse na nossa economia mas apenas na volatilidade. Salvo FIIs, não vejo com bons olhos a bolsa brasileira, mas nada contra quem pensa diferente. Abcs
Esse comentário merece um artigo hein?
Boa ideia. Vou bolar um post. Abcs
A TSR de 4% é mais indicada para os Estados Unidos, no entanto pode se aplicar no Brasil com algum sucesso.
Acredito que a TSR de 4% serve para maioria das pessoas. Agora as pessoas com mais conhecimento e experiência de investimento em renda variável, como fundos imobiliários e ações de dividendos, podem conseguir uma TSR de 6% ou mais, no longo prazo.
Uma TSR de 4% para ter 5 mil reias por mês precisa de 1, 5 milhões (5000 x 300), já com uma TSR de 6% precisa de 1 milhão (5000 mil x 200).
Vai do perfil e do conhecimento de cada um. As pessoas que preferem ter mais tranquilidade na renda fixa, estudar menos investimentos e ficar com uma TSR de 4%, outros que querer estudar mais renda variável, ter mais estômago para aguentar as fortes oscilações da renda variável e ter uma TSR maior.
Abraço!
haha, na bolsa brasileira não adianta ter conhecimento nenhum, todos são sardinhas nas mãos dos bancos
DIL, até com renda fixa você hoje conseguiria uma TSR 5% sem muito risco como falamos. Renda variável não depende só de conhecimento, ainda mais no Brasil então recomendo aos colegas muito cuidado com o perigo de se achar mais "esperto" que o mercado e acabar mal. Abraço!
Ter cuidado sempre bom, estudar e ter conhecimento também, ambos são importantes.
Abraço.
Para quem pretende viver uns 60 anos exclusivamente dos investimentos, acho mais prudente usar uma TSR entre 2,5% e 3% e aplicar somente em renda fixa.
Segundo o boletim focus, o juro real deve girar em torno de 4% nos próximos anos, desconta-se IR dos investimentos e tal.
Ou ele investe pesado hoje em TD IPCA+ 2050 c/ js e garante uma TSR de 5% (Juros reais de 5%) como o VR fez. Isto só não daria certo em caso de hiperinflação, mas ai poucas coisas seriam melhor, alias, não consigo pensar em nenhuma além de dólar tlvz. Abcs
Poderia mostrar em qual titulo ele consegue 5% liquido?
Este comentário foi removido pelo autor.
Tá escrito ai Tesouro direto ipca+ 2050. Aliás qualquer título TD ipca+ hj paga isso. Acesse o site do tesouro direto.
Bom dia, sou leitor de seu blog e admiro a iniciativa.
Sobre o calculo do rendimento ligquido do td ipca +, vou expor minha conta e se puder me responda.
Ipca + 5.84% 2050
5.84% bruto
Considerando uma inflacao média de 5% teríamos um juro bruto anual de 10.84%.
A aliquota de irpf de 15% incide sobre ipca e juro real. Assim o rendimento anual liquido seria de 10.84% x .085; ou seja 9.21%.
Uma conta apressada seria subtrair a inflacao e teriamos juro liquido real acima da inflacao de 4.21%. Conta apressada e errada, pois quando se trata de taxas compoatas nao se soma nem se subtrai, se multiplica e se divide.
A conta certa é 1.0921/1.05 = 1.0401
Que resulta em juro real de 4.01% ao ano liquido.
Bate certinho com a tsr de 4%. E o valor inicial está preservado.
Como visto a resposta nao é tao simples.
Abraço
OK resolvi calcular a TSR pelo matemática financeira correta deste TD 2050 IPCA+5,91%. O simulador do TD indica que em 15/05/2050 o rendimento médio anual seria de 9,97% liq de taxas e IR para infl de 4.5%.
como JR=(1+i)/(1+inf)-1 temos (1,0997)/(1,045)-1 = 5,23%aa de TSR
Seu erro está nesta parte: 10.84% x .085; ou seja 9.21%. Você só paga IR sobre o rendimento total no final e não todo ano como coloca. Todo ano vc só paga sobre o cupom. Por isso vc precisa usar o rendimento líquido que o simulador mostra que já considera este fluxo de cupons e IR parciais. O valor do simulador é maior que o do seu calculo (5+5,84 -15% de IR), OK? Abcs e obrigado por levantar este ponto.
Veja o addendum do profmoney aqui para entender melhor
http://profmoney.com.br/investimentos/a-armadilha-do-tesouro-ipca/
O que pretendo fazer é não parar completamente.
Mas parar o meu emprego principal. Os bicos que faço, pretendo continuar, principalmente nos primeiro 5-10 anos. Ai para depois ali perto dos 50 anos parar em definitivo.
Quando falo bico, é trabalho que posso escolher fazer ou não sem problema, já que se eu não fizer, outra pessoa ira fazer, sem causar problema para ninguem. Não é um bico tão bico assim. se é que me entendem
É uma das melhores maneiras de sustentar sua carteira para o longo prazo. Se conseguir uma renda extra com algum bico vai inclusive poder aumentar o valor nominal da sua TSR com o tempo. Abcs
Mais de um milhão investido para poder gastar apenas 5 mil por mês, da vontade de desistir :+(
Você pode gastar o quanto quiser, mas se quiser preservar o patrimonio e viver de renda no longo prazo ai sim deve gastar apenas 4%aa corrigidos pela inflação. A escolha é simples. Alias, quem chega a um milhão dificilmente vai querer deixar de ser milionário certo? pense nisso
4% é factível no Brasil mas não mais nos EUA. Os estudos que geraram essa taxa estão ultrapassados. Era outra realidade. 4% ou multiplicar por 300 as despesas mensais é útil para um primeiro cálculo, uma conta de padeiro. Recomendo a série publicada pelo blog Early Retirement Now sobre TSR. Quem está parando hoje por exemplo nao pode seguir essa regra devido ao fato de as ações estarem no topo histórico (índice CAPE). Isso lá, aqui nao tenho a menor ideia se estamos com a bolsa cara ou barata, só sei que tá caindo tudo esses dias.
M-R, Mister Money Mustache e muitos outros discordam de vc e falam que sim a SWR 4% é mais que segura e sobreviveu até 1929, bolha dotcom e 2008 pq não sobreviveria agora? Concordo com eles. Veja o estudo trinity atualizado em 2009. Abcs
Minha opinião: tudo isso só funciona se você conseguir corrigir o seu capital pela inflação e gastar apenas o lucro do seu investimento, seja 1, 2, 3 ou 4%. Se investir em TD hoje, é fácil conseguir esse retorno de inflação mais 4% líquido. Mas vale lembrar que esses são os números HOJE. Tudo muda. Vem aí uma eleição e nunca tivemos tantos candidatos de direita com viés libertário com tanta porcentagem de votos, pra mim tudo isso indica que no longo prazo teremos baixa inflação e juros, deixando de ser o paraíso da renda fixa, é a minha opinião de longo prazo. E vale lembrar que essa inflação calculada é a inflação do “arroz e feijão” como eu gosto de dizer, a inflação da classe média-alta no Brasil é muito maior do que a declarada pelo governo.
A TSR 4% é apenas um método de calcular rapidamente o capital necessário pra se viver de renda. Mas tudo isso dependerá se você vai conseguir os 4% de lucro real a cada ano.
Só para lembrar que os estudos da TSR foram baseadas desdo o início do mercado financeiro nos anos 1800s. Ela passou por 2 guerras mundiais e inúmeras crises e mesmo assim os 4% se mostraram seguros. Alguém pode dizer, ah mas isso foi nos EUA. A estes eu pergunto, por que que aqui no Brasil seria diferente?
E tem gente que ainda acha ruim a renda fixa brasileira. Aqui vc consegue hj TRS 5% hj. Amanhã não se sabe. Mas hj consegue isso ou até mais.
Eu fico indignado quando alguém pega um conhecimento ou dado americano e sai propagando a ideia como se isso se encaixasse ao Brasil.
O seu estudo e comparação estão ótimos AA40. Se dá certo em um lugar que tem taxas ótimas aqui tbm vai dar.
Eu vivo lendo ( principalmente naquele fórum da Bastter ) pessoas chamando a renda fixa de perda fixa. Me pergunto como que é perda um título do tesouro Brasileiro pagando 12% aa bruto com uma inflação oficial em torno de 4% ?
O cara escuta isso dos americanos aí repete aqui.. Só que lá a poupança paga 0,2 por ano. Os treasures pagam menos de 3%. Aí blz, chamar de perda fixa. O Americano é obrigado a buscar a Bolsa de valores.
Aí aqui vc investe na bolsa sai uma notícia que o político tal está envolvido em corrupção os especuladores estrangeiros tiram o dinheiro e ela despenca. Bolsa aqui é mais emoção do que razão. Eu sou adepto da renda fixa, e hj conseguimos tirar trs4 dela, pra que se estressar com a bolsa daqui nesse momento. Talvez seja necessário no futuro, hj pra mim não.
Também ouço muito esta de perda fixa o que não é verdade. Temos que ver quem está falando isso, o que geralmente é trader ou sites e fóruns relacionados a bolsa.
Se eles taxam a renda fixa de perda fixa eu taxaria a bolsa BRASILEIRA de perda variável 🙂
Quem planeja viver de renda no Brasil e se aventura em bolsa (salvo FIIs), acho que está cometendo um crime contra seu patrimônio, pois como venho falando, a bolsa brasileira é composta em sua maioria por especuladores e grandes tubarões como bandos e hedge funds que não tão nem ai para o pequeno investidor. Nos EUA existe uma cultura de investir em bolsa para o longo prazo, dividendos, os 401k são todos indexados a bolsa e bonds então é outra coisa. Por aqui temos mais traders de bitcoins que na bovespa então por ai só vc já tira por base! Abcs
Historicamente (Desde a sua criação) o retorno do ibovespa foi maior que do SP500, claro que com muito mais volatilidade, agora volatilitade não risco, se você comprar empresas solidas e descontadas (Como estão agora) a chance de ter um retorno maior que a renda fixa é grande, isso em um prazo maior de tempo, acredito que de 5 a 10 anos é um prazo interessante. Claro que vai do perfil de cada um, mas vejo com bons olhos ter uma parcela na bolsa (Brasil), como ter uma parcela em RF, FII, exterior.
Então eu discordo respeitosamente da sua opinião AA40.
Ótimo artigo.
abraço.
Tom
Tudo bem discordar. Estamos aqui para isto mesmo. O índice da bolsa da Venezuela também retornou mais que o S&P500 se formos comparar bolsa por bolsa.
Quem quer tentar a chance na bolsa brasileira tudo bem, eu tbm tenho pequena parcela nela. Quem quer manter só em renda fixa ótimo, só não venham chamar renda fixa de perda fixa ! Abcs
Eu não consigo ser muito confiante neste percentual de 4% de retirada. Mas pelos relatos de FIRE que tive acesso, há uma certa insegurança geral em relação aos primeiro anos. Acredito que entre o terceiro e quinto ano, há maior tranquilidade quanto às retiradas. Infelizmente ainda não tive a oportunidade de conhecer um caso brasileiro de aposentadoria antecipada (aposentado entre 35 e 45 anos) em que se esteja vivendo 100% de rendimentos há mais de 10 anos. Estamos nos programando para ser muito flexíveis e investir em alguns micronegócios que possam complementar a nossa renda no início. Além disso, com nosso plano de ir para a zona rural, há partes na nossa subsistência que sairão do campo financeiro. No caso, não teremos uma conta fixa a pagar.
Com este backup todo ABM, creio que os 4% sejam mais que o suficiente para vc se sentir confiante. A grande insegurança no Brasil é a instabilidade geral, por isso é tão importante investir fora sempre que possível. Abcs
Você está certo, mas ainda tenho algumas questões sem respostas quanto a investir no exterior. Por enquanto, mantemos uma reserva de valor em dólar. O percentual desta reserva a possibilidade de ter outros investimentos fora do país é motivo de dúvida. Temos dificuldade em lidar com investimento em ações. Tem gente que não dá conta de ficar acompanhando empresas individuais ou ETF's… Como é o tipo de coisa que não dá para terceirizar, acompanhar um investimento que não te empolga é danado. Além disso, há os aspectos burocráticos. Quando você envolve o contexto internacional na contabilidade pessoal, ai já vem uma certa especialização de informações e de profissionais que vc vai ter que correr atrás. Apenas compartilhando os dilemas. Tenho lido alguns posts sobre o tema nos blogs que tenho descoberto no Brasil. Vamos ver se conseguimos sair da paralisia…
AA40,
Como já conversamos outras vezes, pretendo "morrer" aos 100 anos deixando 15% do meu patrimônio, ou seja, minha taxa de retirada será o quanto eu acumular até 2030, após esta data, onde estarei com 50 anos, será ladeira abaixo kkkkk.
Escrevi algo neste sentido aqui https://www.bpmilhao.com/2018/03/quanto-voce-quer-deixar-de-heranca.html
Sempre bom relembrar esses temas. O André do Viagem Lenta tem uma opinião bacana também.
Conversamos sim BPM. Seu caso é diferente. Gosto tanto da TSR para explicar para um leigo e dar segurança para os planos que monto. Vc, assim como o André são feras das finanças e certamente podem sofisticar seu plano muito mais que a simples TSR. Abcs!
Acho que não há lição mais importante deste post do que o cálculo do Mister Mustache: "the length of your retirement barely affects the safe withdrawal rate calculations"