Carteira conservadora e moderada AA40


Diversos leitores perguntam sobre a carteira ideal para investir para quem se aposenta cedo. Muitos perguntam qual a carteira que o AA40 segue ou ainda ideias de alocação conservadoras para viver de renda para quem quer viver sem se preocupar em trabalhar para se sustentar.

Como todos os planejadores financeiros sempre dizem, cada caso é um caso. Seu perfil de risco deve ser analisado, o montante a investir, sua idade e anos até aposentadoria, seu padrão de consumo, sua renda, etc.
Como não podemos analisar cada caso, a menos que você nos peça um estudo, vamos colocar abaixo uma ideia da carteira teórica utilizada como base pelo AA40 para aposentadoria antecipada.
Para quem está começando e ainda não sabe muito sobre o mercado financeiro, a carteira de renda fixa conservadora (90% baixo risco e 10% médio) é mais indicada enquanto aprende mais. Ela supõe-se que o indivíduo não conte mais com renda externa de trabalho ou alugueis além de  visar certa proteção contra inflação e ao mesmo tempo maximizando retornos alocando  parte dos recursos em CDBs de alto rendimento e pequena quantia debêntures.

PS: [Retornos esperados em Março 2017]

Carteira Conservadora

Título* Liquidez Objetivo Alocação
Tesouro
Selic
Diária Reserva
Emergência + Fonte Retirada mensal
20%
LCAs 1
ano
Médio
prazo sem IR
10%
LCIs 2
anos
Médio
prazo sem IR
10%
CDBs 3
anos
Médio
prazo max retorno >115%cdi
10%
CDBs 5
anos
Longo
prazo max retorno >118%cdi
10%
Tesouro
IPCA+
Venc.
2035
Longo
Prazo Proteção contra inflação
30%
Debêntures 5-8
anos
Máximo
retorno renda fixa (sem FGC)
10%

Rentabilidade líq. esperada: IPCA + 5.0%

Algo importante na carteira acima é a ordem de montagem. Quem inicia do zero, a primeira coisa a fazer é montar um fundo de emergência para imprevistos e também reserva líquida para despesas recorrentes; e este deve ser investido preferencialmente no Tesouro Selic. Feito isto, parte-se para o médio prazo e longo prazo, investindo em CDBs e/ou LCI/LCAs (ou outros instrumentos como CRIs, CRAs que surgem todo dia desde que estude-os) de médio prazo e Tesouro IPCA+ de longo prazo para proteção contra inflação. Conforme for usando os recursos do curto prazo para despesas do dia a dia, precisará repor eles conforme os investimentos do médio prazo forem maturando. 
Pense em cada investimento como se fossem baldes. Quando tirar “água” de um, precisa repor com outro que está enchendo. Após acumular um certo patrimônio, fique de olho no limite de cobertura do FGC para ter um seguro para caso aconteça da quebra de alguma instituição pequena onde seu dinheiro possa estar investido – Leia mais

Carteira Moderada

Já uma carteira majoritariamente de renda fixa para um perfil considerado moderado seria composta de:

Título* Liquidez Objetivo Alocação
Tesouro Selic Diária Reserva Emergência + Fonte Retirada mensal 10%
LCAs 1 ano Médio prazo sem IR 10%
CDBs 1 anos Curto prazo >=110% cdi 10%
CDBs 3 anos Médio prazo >=119%cdi 25%
CDBs 5 anos Longo prazo max retorno 10%
Tesouro IPCA+ Venc. 2035 Longo Prazo Proteção contra inflação 25%
Multimercado/FIIS   Mês Rent. acima do CDI/Diversificação 10%

Rentabilidade líq. esperada: IPCA + 6.0%

PS: A partir de certa quantia acumulada, pode-se diversificar e buscar rendimentos superiores com parte da carteira, passando a alocar em bons fundos multimercados, bons fundos de investimento imobiliário,  e quem sabe até uma carteira de ações pagadoras de dividendos, mas claro, isto se você já possui o conhecimento de como fazer isto de forma segura e tiver ao menos lido o livro “O Investidor Inteligente

O que especialistas recomendam?

Um dos analistas mais sensatos do Brasil na minha opinião e que cobrem renda fixa é o Roberto Indech. Abaixo uma tabela que endossamos para montar uma carteira de renda fixa de acordo com o perfil de risco

Por que não temos uma carteira arrojada?

Nosso objetivo aqui é aposentar aos 40 anos, como o nome do blog sugere. Para isto, dependendo da sua idade, não poderá focar muito no longo prazo. Se você tiver trinta e poucos anos e sua data for 40 anos, já não é recomendável investir boa parte da carteira em renda variável pois essencialmente na renda variável só é recomendado investir para longo prazo. Se você tem menos de 10 anos até começar viver de renda, não coloque mais de 20% da carteira em renda variável e nunca dinheiro que espera usar no futuro próximo.
Caso você ainda esteja há mais de 15 anos de aposentar ou viver de renda, ai sim é recomendável colocar até 1/4 de sua carteira em uma boa carteira de ações (empresas saudáveis e com boas perspectivas atualmente como por exemplo Itaú, Ambev, Klabin, RADL, BB seguridade, etc) ou ainda em ETFs como IVVB11 e o próprio PIBB11, comprando sempre que houver uma baixa forte no mercado e nunca vender (ao menos até começar a viver de renda, momento onde é necessário rebalancear e migrar para investimentos de menor risco)
Comente abaixo qual a sua estratégia e qual a composição da sua carteira para viver de renda; não esqueça de citar quanto tempo falta para “aposentar”:



DISCLAIMER 
Lembrando que o AA40 não tem certificação de planejamento financeiro (CFP, CPA) portanto o portfólio acima é meramente ilustrativa da alocação utilizada pelo AA40 na carteira de aposentadoria (ele possui outras carteiras mais agressivas também). Portanto não podemos recomendar o uso da mesma oficialmente. Quanto a carteira arrojada, isto apenas é a opinião pessoal do AA40 e não significa que alguém a deva seguir.




4 thoughts on “Carteira conservadora e moderada AA40

    1. Certo Vaga, FIIs são realmente muito bons para isto só que neste exemplo preferi ficar na renda fixa mesmo (com exc. do multimercado). FIIs sao negociados em bolsa e sofrem marcação a mercado, ou seja, o principal varia bastante apesar de proporcionar renda mensal. Certamente estarão no post futuro sobre a carteira arrojada AA40

  1. Uma dúvida sobre debêntures e outra sobre investimentos atrelados ao IPCA.

    As debêntures, acho que a maioria, fazem amortizações e pagamentos de juros de forma periódica. Esses recebimentos são abatidos do valor aplicado e com o passar do tempo as debêntures rendem cada vez menos, chegando ao seu fim na data de vencimento, correto? Se for assim, para quem está na fase de acumulação, não consigo visualizar, nesse momento, vantagem para investir em Debêntures. Por exemplo, se invisto em uma debênture com data de vencimento daqui a 10 anos e só vou me aposentar a 15, em 10 anos o valor terá sido devolvido e quando eu aposentar não terei mais esse investimento para receber os juros e amortizações para contribuir com o pagamento das despesas mensais (o que também é uma estratégia que pode ser usada para aposentadoria). É claro que ao longo de dez anos estarei reinvestindo o valor recebido das amortizações e juros, mas não é melhor investir logo em algo que o valor não seja diluído ao longo do tempo e, pelo contrário, só aumente, como Tesouro IPCA sem pagamento de juros semestrais?

    Agora em relação aos títulos atrelados ao IPCA em geral, ao longo dos anos em que o título estiver investido só é possível acompanhar o quanto ele rendeu a partir da taxa fixa, uma vez que o rendimento referente a inflação só será acrescido no vencimento, considerando que a taxa média é calculada para todo o período aplicado e essa informação só é possível obter no fim do prazo? Não faço a mínima ideia se meu raciocínio está correto, mas o que me fez pensar nessa hipótese é que os títulos que tenho atrelado a inflação crescem em ritmo muito inferior quando comparados a outros investimentos, como pré-fixados e pós, com taxas parecidas, considerando um valor aproximado para o IPCA somado a parte fixa.

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