Tesouro Renda+ para FIRE: renda, amortização e a estratégia de escadas
Tesouro Renda+ para FIRE: Como Gerar Renda Passiva e Atingir Independência Financeira
O Tesouro Renda+ vem ganhando espaço entre investidores que buscam independência financeira. Se você segue o IFBrasil no Reddit você já deve ter visto.
E o apelo é evidente: você investe hoje e, a partir de uma data futura, recebe uma renda mensal corrigida pela inflação durante 20 anos.
Para FIRE, isso parece quase ideal.
Mas há detalhes importants que precisamos explorar. Um deles:
Essa “renda” não é apenas rendimento. Parte dela é a devolução do próprio principal ao longo de 240 meses.
Ao final daquele título, o saldo vai a zero.
Essa observação é correta, mas incompleta.
Porque existe uma forma mais sofisticada de usar o Renda+: montar uma escada de vencimentos, como já fazemos com CDBs. A famosa Escada de CDBs, para quem se recorda do nosso post que fez sucesso.
E aí a análise muda bastante.
Primeiro: o que realmente é o Renda+
O Tesouro RendA+ é um título público lançado pelo Tesouro Direto focado no planejamento da aposentadoria, permitindo que o investidor faça aportes ao longo dos anos para acumular patrimônio e, a partir de uma data escolhida, receba uma renda mensal garantida corrigida pela inflação durante 20 anos. Mas há detalhes importantes:
Na fase de acumulação, o dinheiro rende:
IPCA + taxa real contratada.
Na data de conversão, começam os pagamentos mensais.
São:
240 parcelas mensais = 20 anos.
Essas parcelas incluem:
- correção pela inflação;
- juros reais;
- devolução gradual do principal.
Portanto, o fluxo mensal pode parecer alto porque você não está apenas vivendo dos rendimentos.
Você também está consumindo o capital.
É uma espécie de amortização programada. Nos EUA são chamados de Annuities.
O erro seria tratar isso como uma TSR tradicional
Imagine alguém com R$ 2 milhões recebendo R$ 100 mil por ano.
É tentador dizer:
“Minha taxa de retirada é 5%.”
Mas isso pode ser enganoso.
Uma TSR/PWR tenta responder algo como:
Quanto posso retirar de uma carteira durante determinado horizonte sem esgotá-la?
O Renda+ responde outra pergunta:
Quanto consigo receber se transformar determinado patrimônio em uma sequência de 240 pagamentos reais?
São mecanismos diferentes.
Se parte relevante dos R$ 100 mil vem de um título cujo principal está sendo amortizado, isso não é equivalente a retirar 5% de uma carteira que continua existindo.
A crítica simples ao Renda+ tem um problema
Uma objeção comum seria:
“Se você se aposentar aos 40, em 20 anos o Renda+ acaba (renda e principal). Aos 60 você estará sem aquela renda.”
E Isso é verdade se você usar apenas um título.
Mas não é necessariamente assim que uma estratégia bem estruturada funciona.
Um leitor levantou exatamente esse ponto em uma discussão sobre FIRE.
A ideia original dele era montar vários vencimentos:
Renda+ 2030
Renda+ 2035
Renda+ 2040
Renda+ 2045
Os fluxos se sobreporiam ao longo do tempo.
Depois, ele simplificou a estratégia e passou a concentrar principalmente em:
Renda+ 2030 + Renda+ 2050.
Agora temos algo muito mais interessante.
Renda+ 2030 mais Renda+ 2050: uma escada de aproximadamente 40 anos
Pense assim:
Renda+ 2030
Fluxo aproximadamente entre:
2030 e 2050
Depois:
Renda+ 2050
Fluxo aproximadamente entre:
2050 e 2070
Resultado:
Aproximadamente 40 anos de renda real programada.
No caso citado, a pessoa estaria com cerca de 85 anos quando o segundo bloco terminasse.
Isso muda substancialmente a análise.
A pergunta deixa de ser:
“O que acontece quando o Renda+ acabar aos 60?”
e passa a ser:
“Quantos blocos de 20 anos estou comprando e como eles se encaixam?”
Talvez se aposentando aos 40 você precise de 3 blocos de 20 anos para estar 100% seguro?!
O conceito correto: Uma Escada
Podemos pensar no Renda+ como um conjunto de blocos temporais.
Cada título compra aproximadamente:
20 anos de fluxo real. (Não sei quem determinou que deveria ser 20 anos - certamente não alguém que sabe de FIRE hehehe )
Ao combinar vencimentos, você monta uma espécie de escada, assim como fazíamos com CDBs.
Exemplo:
| Período | Título |
|---|---|
| 2030–2050 | Renda+ 2030 |
| 2050–2070 | Renda+ 2050 |
| 2070–2090 | futuro Renda+ 2070 ou outra solução |
Para alguém fazendo FIRE cedo, isso pode chegar perto de uma aposentadoria inteira.
Se a pessoa começa aos 40 e consegue montar 60 anos de cobertura, estamos falando potencialmente de fluxo até os 100 anos.
Isso é bem diferente de analisar cada título isoladamente. (Não vamos aqui também falar sobre risco Brasil, IPCA, etc, pq isso não é matemática financeira e não temos bola de cristal)
A primeira versão: vários vencimentos sobrepostos
Uma alternativa seria comprar:
R+30, R+35, R+40 e R+45.
Nesse caso, os fluxos se sobrepõem.
Isso cria uma renda crescente ao longo do tempo.
Pode funcionar bem para quem quer que a participação da renda fixa aumente gradualmente com a idade.
O problema é que a estrutura fica mais complexa.
Você precisa acompanhar:
- quanto cada fluxo representa;
- em quais períodos existe sobreposição;
- quanto do patrimônio está comprometido;
- quanto ainda precisa ser comprado nos vencimentos futuros.
A vantagem é suavizar a transição entre os blocos.
Exemplo de uma escada Renda+ para 55 anos de FIRE
Vamos imaginar um brasileiro que queira garantir R$10 mil por mês, corrigidos pela inflação, durante 55 anos, de 2030 até 2084.
Com os títulos disponíveis hoje, uma solução simples seria combinar Renda+ 2030, 2050 e 2065. Pelas taxas atuais utilizadas nesta simulação, seria necessário investir aproximadamente R$990 mil no R+2030, R$262 mil no R+2050 e R$71 mil no R+2065, totalizando cerca de R$1,323 milhão hoje. O primeiro título financia 2030–2049 e o segundo 2050–2069.

O detalhe interessante está no terceiro título. Como o R+2065 começa a pagar cinco anos antes de o R+2050 terminar, não precisamos comprar outros R$10 mil mensais. Compramos apenas R$7,5 mil/mês. Entre 2065 e 2069, enquanto o R+2050 ainda paga integralmente as despesas, esses R$7,5 mil são acumulados em uma reserva, formando aproximadamente R$450 mil reais. De 2070 a 2084, o R+2065 fornece R$7,5 mil e essa reserva completa os R$2,5 mil restantes.
Assim, três títulos disponíveis hoje conseguem estruturar aproximadamente 55 anos de renda real de R$10 mil mensais (em dinheiro de hoje vale lembrar).
A segunda versão: blocos mais limpos
A estratégia:
R+30 + R+50
é conceitualmente mais simples.
Você compra um bloco para aproximadamente os primeiros 20 anos.
Depois outro para os 20 anos seguintes.
Isso se aproxima mais de um verdadeiro sistema de liability matching.
Em português simples:
você compra hoje partes específicas das suas despesas futuras.
Montamos um Gerador de Ideias de Escadas Renda+ para você
Escada de Tesouro Renda+ para FIRE
Estime quanto comprar hoje para buscar um fluxo mensal após IR, em poder de compra atual e antes de eventual custódia B3.
Por isso, não faz sentido interpretar a parcela mensal como TSR: parte do dinheiro recebido é o próprio patrimônio sendo devolvido.
Marque apenas os títulos atualmente à venda e atualize taxa e PU.
| Título | Qtd. | Investir hoje | Parcela bruta (R$ de hoje) | IR estimado (R$ de hoje) | Mensal após IR (R$ de hoje) |
|---|
Regras de IR e custódia consideradas
- até 180 dias: 22,5%
- 181 a 360 dias: 20%
- 361 a 720 dias: 17,5%
- acima de 720 dias: 15%
Metodologia e limitações
- Somente os títulos marcados como disponíveis podem ser utilizados.
- O cálculo assume que todos os títulos são comprados na data informada. Taxas atuais não são utilizadas para projetar compras futuras.
- O PU informado é tratado como custo de aquisição de um título inteiro. As quantidades são arredondadas para cima em múltiplos de 0,01 título.
- Cada Renda+ gera 240 pagamentos mensais durante 20 anos.
- O modelo utiliza 239 amortizações de 0,416666% e uma amortização final de 0,416826%.
- Cada pagamento é separado em devolução do principal + rendimento tributável. A parcela de principal utiliza o custo histórico de aquisição e não é corrigida pelo IPCA.
- A correção monetária integra o rendimento nominal tributável. O IPCA informado é utilizado para projetar valores nominais, estimar o IR e depois converter o fluxo novamente para reais de hoje.
- Cada título é dimensionado pelo menor pagamento após IR, expresso em R$ de hoje do trecho que precisa cobrir, e não pela média.
- Quando os títulos disponíveis não permitem encaixar exatamente o horizonte desejado, são mostrados gaps, sobreposições e pagamentos além da meta.
- A reconstrução do fluxo a partir de PU e taxa é aproximada. Não reproduz integralmente VNA/VNI, DU/252, IPCA projetado e truncamentos da precificação oficial.
- Não são modelados venda antecipada, marcação a mercado, mudanças tributárias futuras ou taxas próprias da instituição.
Colocamos esse Gerador de Escadas Renda+ permanentemente no menu Ferramentas do Blog. Confira lá periodicamente e divulgue por favor.
E uma descoberta interessante: o Tesouro Educa+ também pode entrar nessa brincadeira. Apesar do nome e do objetivo educacional do produto, não há vinculação do dinheiro recebido ao pagamento de estudos como existe nos EUA; estruturalmente, ele também é um NTN-B1 corrigido por IPCA + taxa real, mas amortizado em 60 parcelas mensais (5 anos), contra 240 parcelas (20 anos) do Renda+. Isso abre uma possibilidade que não tínhamos considerado inicialmente: usar o Educa+ como um “bloco” de 5 anos para preencher gaps entre os blocos de 20 anos do Renda+. Por exemplo, Educa+ 2040 + Renda+ 2045 + Renda+ 2065 forma, conceitualmente, uma sequência quase contínua de cerca de 45 anos de renda. Ainda precisamos estudar melhor custos, impostos e preços relativos, mas como ferramenta para montar escadas FIRE, o Educa+ merece entrar no radar.
Isso elimina o problema do Renda+?
Não.
Apenas muda qual é o problema.
A crítica deixa de ser:
“Ele acaba em 20 anos.”
e passa a ser:
“Quanto patrimônio preciso comprometer hoje para comprar vários blocos de 20 anos?”
Essa pergunta é muito mais interessante, principalmente com juros reais acima de 7%aa.
O primeiro grande trade-off: custo de oportunidade
Imagine que você compre hoje uma quantidade grande de Renda+ 2050.
Esse dinheiro ficará décadas contratado a uma determinada taxa real.
Se ações globais ou mesmo IBOV entregarem retornos muito maiores durante o período, você não participa desse crescimento com aquele capital.
É o preço da previsibilidade.
Você troca:
potencial de crescimento
por
fluxo real contratado.
Não existe mágica.
O segundo trade-off: concentração
Uma escada de Renda+ pode parecer extremamente segura porque elimina boa parte do risco de mercado da carteira.
Mas você passa a concentrar uma parcela significativa do patrimônio em:
- Brasil;
- Tesouro Nacional;
- IPCA;
- Moeda: real.
Para alguém cuja vida inteira já depende do Brasil — salário, imóvel, previdência pública e consumo — isso merece atenção.
Especialmente em FIRE, onde o horizonte pode ser de 40, 50 ou 60 anos.
O terceiro risco: reinvestimento
A estratégia pode depender de continuar adicionando novos vencimentos.
Por exemplo:
hoje você tem R+30 e R+50.
No futuro pretende comprar um R+70.
Mas qual será a taxa real disponível naquele momento?
Ninguém sabe.
Pode ser IPCA + 7%.
Pode ser IPCA + 4%.
Isso muda muito o custo de comprar a próxima camada. Além disso, de onde vierá este dinheiro para comprar o R+70 se você já estiver aposentado?
Portanto, existem duas opções.
Comprar cedo
Você trava a taxa atual.
Mas compromete mais capital por mais tempo.
Comprar depois
Você mantém flexibilidade.
Mas assume risco de reinvestimento.
Esse é um dos trade-offs centrais da estratégia.
O quarto ponto: patrimônio terminal
Uma escada de Renda+ pode funcionar perfeitamente para financiar despesas.
Mas precisamos sempre lembrar:
Os blocos estão sendo amortizados.
Ao final de cada período, aquele patrimônio foi consumido.
Isso não é necessariamente ruim.
Afinal, o objetivo da aposentadoria é financiar consumo.
Mas para quem deseja:
- deixar herança;
- manter grande margem de segurança;
- financiar cuidados de longa duração;
- preservar patrimônio real;
- Criar riqueza geracional;
isso importa bastante.
A pergunta correta não é “quanto rende?”
Para alguém usando Renda+ em FIRE, eu faria quatro perguntas.
1. Quantos anos cada bloco cobre?
Exemplo:
R+30 → até 2050.
R+50 → até 2070.
2. Qual será minha idade quando o último bloco acabar?
No exemplo citado:
aproximadamente 85 anos.
Isso é completamente diferente de terminar aos 60. Mas ainda assim pode não ser seguro o suficiente.
3. Quanto patrimônio permanece fora do sistema?
Essa é talvez a pergunta mais importante.
Se praticamente todo o patrimônio estiver transformado em Renda+, você ganha previsibilidade, mas perde flexibilidade e crescimento.
4. O que acontece depois do último bloco?
Aos 85 anos ainda pode existir um horizonte relevante.
É preciso planejar:
- carteira remanescente;
- INSS;
- previdência;
- outro Renda+;
- ou um terceiro bloco.
Uma escada de 60 anos
Para alguém fazendo FIRE muito cedo, podemos pensar em algo como:
Renda+ 2030
Renda+ 2050
Renda+ 2070
Isso produziria aproximadamente:
2030 → 2090
ou cerca de:
60 anos de fluxo real.
Uma pessoa começando aos 40 teria renda programada aproximadamente até os 100 anos.
Isso seria uma espécie de “aposentadoria real auto-construída”.
Mas não é grátis.
Quanto mais longa a escada, maior a parcela do patrimônio que você compromete e menor o capital disponível para crescimento.
Talvez a melhor versão não seja garantir 100% das despesas
Aqui está a estrutura que me parece mais interessante.
Imagine uma família FIRE que queira gastar:
R$ 10 mil/mês.
Mas apenas:
R$ 6 mil/mês
são despesas realmente essenciais.
Os outros R$ 4 mil representam:
- viagens;
- restaurantes;
- lazer;
- upgrades;
- gastos discricionários.
Em vez de comprar Renda+ suficiente para pagar tudo, você poderia montar uma escada apenas para os R$ 6 mil essenciais.
Então teríamos:
Renda+
Piso de consumo.
Carteira diversificada
Upside, longevidade, viagens, legado e flexibilidade.
Essa estrutura combina duas vantagens:
segurança nos gastos essenciais
e
crescimento no restante do patrimônio.
Por que isso é especialmente interessante para SORR?
O maior risco no início da FIRE é ser obrigado a vender ativos em uma grande queda do mercado - chamado de SORR no inglês.
Imagine uma bolsa caindo 40% logo nos primeiros anos.
Sem renda contratada: você precisa continuar vendendo ativos para pagar todas as despesas.
Com uma escada parcial: suas necessidades básicas já estão cobertas.
Você pode reduzir apenas a parte discricionária.
Isso reduz drasticamente o risco de sequência de retornos.
Conclusão
Minha crítica inicial ao Renda+ seria forte se alguém colocasse uma grande parcela do patrimônio em um único vencimento, pois mostraria desconhecimento de como funciona o Renda+.
Nesse caso, realmente existe um risco óbvio: 20 anos de renda excelente seguidos por um enorme buraco.
Mas uma estratégia de escadas muda bastante o cenário.
Com: R+30 + R+50 é possível criar aproximadamente 40 anos de cobertura.
Com um terceiro bloco no futuro, teoricamente poderíamos chegar a 60 anos.
Isso transforma o Renda+ em uma ferramenta muito mais séria para FIRE.
Mesmo assim, eu não colocaria automaticamente uma parcela enorme do patrimônio nisso.
A análise correta precisa considerar:
SORR + patrimônio terminal + concentração + custo de oportunidade + risco de reinvestimento.
E talvez a melhor utilização não seja transformar todo o patrimônio em salário.
Talvez seja algo bem mais simples:
Usar Renda+ para garantir o chão da aposentadoria e deixar o restante da carteira cuidar do teto.
Essa me parece uma arquitetura muito mais robusta. E vocês, o que acham? Curtiram o gerador de escadas Renda+? Comentem e divulguem nosso trabalho:




Maluco esse blog ta ficando top demais. Só coisa útil ultimamente ! Parabéns
hahah Valeu Fireante. Preciso de mais dúvidas e ideias para sair coisas assim. Esse post foi indicação de um amigo virtual que comenta muito lá no Reddit e me traz sugestões. Fiquem a vontade para trazer mais sugestões e pauta.
Abcs
AA40
Eu estou de boca aberta. Impressionada com tanta informação relevante. Tem algum grupo mais dinâmico desse blog, tirar dúvidas? Grata
[email protected]
Valeu Quedima. Seu estudo de caso está no forno, por falar nisso.
Desse blog especificamente não temos. Dificil permanecer anonimo e ter tempo para responder whatsapp. Não estamos em busca de mais um emprego hahaah.
Mas no reddit tem um grupo FIRE bom, tenta lá sub/IFBrasil que ajuda bastante com dúvidas.
Se a galera tiver interesse, posso criar um grupo do AA40 no Reddit…comentem ai
Abcs
AA40
Parabéns pelo post.
Mas se no Renda+ eu também estou consumindo o principal, qual seria a vantagem real de montar essa escada em vez de simplesmente comprar Tesouro IPCA+ normal e ir vendendo aos poucos durante a aposentadoria? Não teria mais flexibilidade assim?
Fala Rogério. Sim, teria mais flexibilidade. Acho que essa é justamente a principal vantagem do IPCA+ tradicional em relcao ao renda+.
No Renda+ você meio que já “programa” o uso daquele dinheiro: chega a data e ele começa a devolver principal + juros em 240 meses. É ótimo para quem quer montar uma fundacao sólida não ficar decidindo todo mês o que vender.
Mas com o IPCA+ você tem mais liberdade. Pode carregar até o vencimento, vender quando precisar e usar os juros semestrais, que já pinga cupons a cada seis meses e reduz um pouco a necessidade de ficar vendendo título para gerar renda. Nesse caso, os juros vêm semestralmente e o principal fica para o vencimento, diferentemente do renda+, o principal te retorna separado no final.
Então não acho que exista um vencedor absoluto.
Para FIRE, eu ainda gosto mais da ideia de usar o Renda+ só para cobrir uma parte das despesas básicas e deixar o resto fora dele. Porque travar 100% do patrimônio numa escada de 20 em 20 anos também me parece exagero. Vida e o país mudam muito e rapidamente.
No fim, a escada faz mais sentido para quem quer dizer: “esses R$ X por mês daqui até 2050 já estão resolvidos”. O resto eu prefiro continuar tendo liberdade para mexer. E vcs?
Fala AA,
que bacana ver o blog em ativo novamente, e como já falado, com um posto mais interessante que o outro. Estou nesse momento aportando em Renda+, para juntos com os FIIs garantir renda mensal. E em paralelo, sigo com um percentual em IPCA+ como lastro.
Fala, Aprendiz! Bom te ver por aqui de novo, e valeu pelas palavras!
Boa! O Renda+ entra com uma renda mais previsível, os FIIs complementam com renda variável e o IPCA+ fica como uma espécie de lastro de longo prazo.
Eu só teria o cuidado de não colocar FIIs e Renda+ no mesmo nível de previsibilidade, porque os FIIs podem variar bastante tanto nos rendimentos quanto nas cotas. FIIs se continuarem sem IR é uma ótima para a parte da RV da carteira.
Mas qualquer lógica que não dependa de uma fonte só de renda ( seja renda passiva ou venda programada de ativos, que no fim das contas faz parte da mesma lógica de retorno total) eu acho muito boa na aposentadoria.
AbcsAA40
As publicações estão excelentes! Uma estratégia que penso com o Renda+ é a seguinte. Pretendo trabalhar até os 50 anos.
Tenho o título do EDUCA+ 2040, renda + 2045 e outro renda+2065. Essa é a parte da renda previsível. Além disso, a outra parte vem da renda variável, ETF´s, ações e FII´s. Não estou contando com o INSS, mas é algo que, provavelmente, entrará na conta. Pretendo aumentar a exposição a FII´s perto dos 50 anos.
Fala, Daqui a pouco fire! E olha que interessante, fui olhar melhor o Educa+ depois do seu comentário e ele pode ser bem mais util do que eu imaginava.
Como ele paga por 5 anos, da pra usar justamente pra preencher os “buracos” entre os blocos de 20 anos do Renda+. No caso, Educa+ 2040 + Renda+ 2045 + Renda+ 2065 ficou quase uma escadinha perfeita.
Seu comentário acabou rendendo um baita adendo aqui pro post Valeu.
Abcs
AA40
Oi, eu fiz exatamente isso que você postou hoje, optei por:
– Cobrir gastos totais
– Cobertura de 40 anos (tenho 39, então FI com 43)
– Não comprar o terceiro bloco agora e ter margem para fazer outras coisas
Achei bom d+, inclusive contratei um consultor para revisar, e fiquei feliz de ver o post aqui, pois essa fonte entende mais do universo FIRE!
Fala FI43! Muito bom saber que alguém já colocou essa lógica em prática de verdade.
Gostei principalmente de vc não comprar o terceiro bloco agora. Cobrir 40 anos e manter parte do patrimônio livre pra outras coisas me parece bem mais sensato do que tentar “resolver” a vida inteira de uma vez.
E fez bem demais em mandar revisar por um consultor tbm. Uma coisa é a ideia funcionar no papel, outra é conferir se toda a execução fecha certinho.
Valeu por compartilhar, relatos assim agrega muito aqui.
Abcs
AA40
Espetacular. Parabéns e muito obrigado por gerar esse tipo de conteúdo. Descobri o portal recentemente e é impressionante o nível da entrega!
Estava esperando por esse post. Compartilhei meu caso com e vocês me anteciparam que estava para sair um conteúdo que endereçaria muitas da minhas questões – essa postagem.
A calculadora ficou demais! Muito útil para ensaios e projeções. Para lidar com as limitações relativas a oscilação do PU, eu tenho feito projeções (grosseiras, admito) para estimar o avanço do PU do R+30 até o início da fruição considerando a marcação do título à luz da influência da curva DI. Cheguei num racional rudimentar onde parto do valor total necessário faltante a ser aportado hoje para o número X de títulos e estimei que, em linha com minha capacidade projetada de aporte até dez/29, eu tendo a gastar 20% a mais do que preço atual do total de títulos faltantes.
Como relatei, meu sistema em resumo é:
– Aposentadoria entre out/28 e mar/29
– Primeiros 12-18 meses com escadinha de CDBs
Após 2030:
– 33% do meu patrimônio em R+30 gerando 80% da renda mensal
– 67% em outros ativos (predominantemente RF + TD) gerando 20% da renda mensal
Desde o lançamento, invisto em R+, mas reverti minha estratégia recentemente. Iniciei fazendo 30, 35, 40, 45 e resolvi dar uma guinada para 30 e 50 (e mais adiante, claro, uma complementação para >2065 ou 2070).
Eu tenho usado um conceito “híbrido” de TSR ao aplicá-la somente sobre o montante não alocado em R+. Na dinâmica acima, eu precisarei de uma TSR 1,5% sobre esse montante para gerar os 20% de renda faltantes que se somarão aos 80% gerados pelo R+30. E claro: o reinvestimento dos retornos desse montante deverá cobrir a construção da posição do R+50.
Fala Fireador -Seu caso está no forno é justamente um dos mais interessantes pra testar essa lógica na prática.
Só faria duas ressalvas. A primeira é que eu não chamaria esses 1,5% de TSR “real” da carteira paralela, pq dela também terá que sair o dinheiro pra montar o R+50. Então o consumo econômico dessa carteira vai ser maior que os 20% de renda mensal que faltam hoje.
E sobre projetar o PU do R+30, acho válido como aproximação, mas cuidado em usar curva DI como referência principal. O que vai mandar mesmo é a curva de juros reais/IPCA+ daquele vencimento. Pode andar junto em vários momentos, mas não é 100% a mesma coisa.
De resto, gosto bastante da estrutura 30 + 50 e deixar o resto da carteira mais livre, mas seu caso vai render uma continuação boa deste post aqui.
Abcs,
AA40
Obrigado pela resposta e pelas ponderações! Vou considerá-las nos meus estudos e planos.
Bom dia,
Acredito que o post já toca em todos os pontos relevantes do uso da ferramenta RendA +.
Eu acrescentaria um pequeno detalhe que pode ser relevante para alguns investidores. Se for utilizada apenas uma parte do patrimônio financeiro em RendA+ para financiar os primeiros 20 anos da aposentadoria, o restante da carteira estará livre de resgates e portanto livre de SORR. Em outras palavras, a parte da carteira NÃO RENDA+ poderá ser gerida como uma carteira de longo prazo verdadeira. Vinte anos sem necessidade de saques garante o horizonte de tempo necessário para maturação.
Sugiro uma análise individualizada e cuidadosa ao optar pelo RendA+ e em especial pelo sistema de escada.
Eu optei pelo RendA+ com a taxa de juros atual. Fiquei tentado a montar o sistema de escada. No entanto, acabei deixando essa opção de lado para manter minha carteira remanescente mais agressiva e diversificada, inclusive geograficamente.
Seu trabalho no blog é excelente.
Abraço.
Fala Luis, concordo, esse é um dos maiores atrativos pra mim tbm: se os primeiros 20 anos estiverem realmente cobertos pelo Renda+, a carteira restante ganha tempo de verdade e praticamente elimina o SORR nessa fase.
No fim, esse equilibrio entre previsibilidade e flexibilidade talvez seja o ponto principal.
Valeu pelo relato e pelas palavras!
Abcs ,AA40
Parabéns pela postagem. Para variar, sensacional! Só duas dúvidas sobre a tributação: i) acredito que ela incide automaticamente sobre cada pgto mensal (ou seja, sobre principal + rendimento); ii) se começar a comprar Renda+2030 em dezembro de 2029, quando houver a conversão em pgto mensal em janeiro de 2030, a alíquota vai caindo, até chegar a 15% em janeiro de 2032 (ou a alíquota continua travada em 22.5% até 2049)? Perguntei isso ao tesouro, mas não tive resposta. Parabéns pelo blog!
Fala Arnaldo! Boa pergunta, No item 1 tem um detalhe importante: o IR é descontado automaticamente em cada pagamento, mas NÃO sobre principal + rendimento – só sobre o rendimento, afinal sobre o principal vc já pagou imposto quando recebeu o seu salário, etc. O Tesouro informa claramente que o valor originalmente aplicado vai sendo devolvido proporcionalmente nas parcelas e o IR incide só sobre o rendimento.
E no item 2, sim: a alíquota é a tabela padrão da receita, que vai caindo com o tempo. Ela não fica travada em 22,5% até 2049. O prazo é contado desde cada aporte. Então uma compra feita em dez/29 começa nas alíquotas maiores e, depois de mais de 720 dias, aquela parcela do investimento passa a ter IR de 15% sobre os rendimentos (que inclue o fixo + o IPCA do período).
Inclusive, se vc foi comprando o Renda+ ao longo de vários anos, cada lote pode estar numa faixa de IR diferente no começo dos pagamentos. Os aportes antigos provavelmente já estarão nos 15%, enquanto os mais recentes ainda vão percorrer a tabela.
Abcs
AA40
Matador!
Sempre q vejo essas comparações, e essa está muito interessante, fico pensando no PGBL… Nem de longe quero essa discussão se vale ou não. Mas a comparação é boa, pois o resgate financeiro, não o atuarial, com uma TSR de 4%, pensando em aliquota regressiva, parece mais aproveitável do que o resgate atuarial. Com essa proposta do Tesouro renda + parece que seria outra possibilidade. O que pensam?
Temos um post na fila sobre o PGBL e alguns truques como os FIRE americanos fazem que podemos usar. Estou tentando agendar um post novo toda a segunda-feira para retornar esta nova faze do blog. Fiquem ligados. Abcs aa40
Esse post foi o de longe o melhor pra mim, me trouxe uma tranquilidade absurda… Está muito mais alcançável dessa forma atingir o FIRE, além de uma maior previsibilidade e segurança no recebimento da renda por se tratar do investimento mais “seguro” do país.
Fico muito feliz de ler isso! Acho que essa é justamente uma das grandes vantagens do Renda+ para quem busca o FIRE: ele tira um pouco daquela sensação de que precisamos acertar a rentabilidade da carteira por décadas para fazer o plano funcionar.
Quando você monta uma escada de títulos, consegue enxergar com bastante clareza de onde vai sair a renda em cada período. Não elimina todos os riscos, claro, mas para mim essa previsibilidade tem um valor enorme. No FIRE, tranquilidade também é retorno.
Abcs AA40